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Aqui contamos histórias sobre nossas peripécias dando a volta ao mundo em nosso veleiro. Nós somos: Fabio, Miriam, Caio, Rafael e Cacau e não sabemos onde vamos parar, só sabemos que vamos "Para onde o vento vai".


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Confiar ou nao confiar. Windy is the question

Eu acredito no WINDY. 

As vezes eu quase esqueço que o Windy faz previsão. Fica a impressão que o que você esta vendo é a verdade.

Eu sinto que as previsões são cada vez mais seguras e precisas e mesmo assim, saímos, e o vento esta ignorando as previsões.

Nesse ponto existe o mundo real, aquele que manda sal e água na sua cara e o mundo lindo e maravilhoso das previsões meteorológicas.

Desabafo a parte, 90% das vezes eu confio, 10% (as piores) eu resolvo desconfiar. Tudo esta muito perfeito para dar errado, então vai dar errado.

Navegar pelo Mediterrâneo tem particularidades locais e características geográficas que mudam com muita frequência.

Saímos de Otranto (taco da bota) com destino a Montenegro. Um pais completamente diferente em termos de geografia e costumes. Um pais de origem Eslava. Mas parece que cruzamos um oceano. Ao longe se pode ver as montanhas que descem até o litoral. Montanhas de uma coloração escuro (origem do nome).


O povo é de origem Eslava e podemos sentir que leva muito a serio sua vocação para o turismo. 

A unica coisa que parece universal é a vontade que tem a burocracia de fazer você perder tempo. Parece um interrogatório criminal com preenchimento de milhares de informações perguntando ocasionalmente alguma coisa e enfiando a cara no terminal para preencher um relatório de paginas e mais paginas.

No final emitem alguns documentos e um selo que você deve colar em algum lugar visível do barco para evitar fiscalização. A burocracia é sempre burocracia. Mesmo assim eles tentam ser simpáticos e prestativos (sem muita vontade realmente de ser)

E o pior, estamos indo em direção a Marina quando o atendendo do radio quase gritou, não entre aqui sem passar pelo porto e fazer a clearance. 

Pelo tom de voz utilizado eu comecei a procurar se existia alguma chance de uma metralhadora ou canhão anti embarcação nos afundar.

Ele quase entrou em desespero quando misturei meu inglês macarrônico com o inglês dele e não nos entendemos muito bem no radio VHF. 

Eu dei meia volta e me dirigi ao porto comercial e quase senti o alivio na atmosfera, mas quando o estresse é tanto eu preferi seguir o roteiro internacional do navegador medroso, antes de fazer qualquer coisa chamo a guarda costeira ou o port control e peço autorização.

Que isso sirva de lição.


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