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Bem-vindo a nossa casa.

Aqui contamos histórias sobre nossas peripécias dando a volta ao mundo em nosso veleiro. Nós somos: Fabio, Miriam, Caio e Rafael e não sabemos onde vamos parar, só sabemos que vamos "Para onde o vento vai".


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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Fechamento do ciclo

A viagem começa com o primeiro passo. O passo de foro íntimo. Interno, motivador, criador da mudança.

Enrijecemos na expectativa de problemas e não temos a oportunidade de vivenciá-los. A vida ensina através dos acertos, mas são nos erros onde as lições que permanecem com mais vigor em nossas memórias estão sempre presentes. Então cometa erros, mas faça, dê o primeiro passo !!! Corte as amarras que prendem você a vida que você gostaria de mudar.

Agora encerramos o primeiro ciclo de nossa volta ao mundo em família. A viagem de circunavegação do Atlântico que eu, Miriam, Caio e Rafael fizemos ao longo dos anos de 2010, 2011 e 2012. O Ciclo se encerrou com duas palestras que proferimos no Rio Boat Show e na ABVC (Centro Cultural da Marinha).

Durante a viagem colecionamos mais de 10000 fotografias. Como uma imagem fala mais do que 1000 palavras, abaixo contamos um pequeno pedaço da história. No facebook você pode encontrar o álbum completo com as fotos selecionadas para as palestras.

Espero que vocês gostem e resolvam dar o primeiro passo

Búzios - Veleiros ancorados


Vitória - Regata


Ilhéus - Paella de banana com carne de Sol


Morro de São Paulo


Salvador - Vista do Tenab


Fernando de Noronha


Ilha de Lençóis- Maranhão


Trinidad - Plataforma num mar de azeite


Union Island


Tobago Cays


S.Vincent - Cenário de Piratas do Caribe


Guadalupe - Esse veleiro não aderna


Canouan - Pier de chegada


S.Barth - Veleiros ancorados


S.Barth


S.Barth


S.Barth - Veleiros


S.Marteen - Flyer e Luar


Travessia do Atlântico - Reflexos


Travessia do Atlântico - Reflexos


Açores - Flores - Logoa Alta e Baixa


Açores - Faial - Vulcão Capelinho


Açores - Faial - Fofocas


Açores - Terceira - Marina


Açores - Terceira - Caminhos


Açores - Terceira


Açores - S.Miguel - Lagoa das sete cidades


Açores - S.Miguel - Samambaia


Açores - S.Miguel - Jardins


Açores - S.Miguel - Arte feita pelo mar


Açores - S.Miguel - Caio


Portugal - Galeota Real


Gibraltar - Dois macaquinhos


Gibraltar - A Rocha


Canárias - Amizades


Canárias - Símbolo


Canárias - Tempestade de areia


Cabo Verde - Ventos e chegada


Cabo Verde


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Agradecimento

Ao queridos amigos e velejadores, aos patrocinadores do evento e a aqueles que me receberam tão bem durante a palestra do Rio Boat Show resta fazer um público, genuíno e sincero agradecimento

Muito obrigado

A palestra foi desenvolvida com o objetivo de mostrar que é possível viver em um pequeno veleiro enquanto realiza seu sonho. Questões foram abordadas e depois esclarecidas, tais como: Saúde, Dinheiro e custos, segurança, investimentos, lugares para conhecer, Escola das crianças, etc.

Eu e a Miriam pudemos passar para os presentes um pouco das experiências e mais de 180 fotos entre as mais de 10 mil que foram colecionadas.

Ao final do ciclo de palestras nós vamos publicar um clip que fizemos sobre a viagem com as melhores fotos cronologicamente estruturadas para mostrar a viagem.

Espero que vocês gostem


terça-feira, 20 de março de 2012

Palestra: Uma família pelo Atlântico


Pessoal

Fomos convidados para fazer uma palestra na Rio Boat Show. O tema é VELEJANDO EM FAMÍLIA PELO ATLÂNTICO. A data já está marcada: dia 15 de Abril de 2012 as 17 horas. Rio de Janeiro

Conto com os amantes da vela e os que pretendem se apaixonar por um veleiro. Falaremos eu e a Miriam sobre nossas experiências e peripécias e sobre como conseguimos fazer isso tudo num barco de 30 pés.

Isso tudo permeado por dicas envolvendo custos, lugares, procedimentos, segurança, etc, etc, etc.

Ficaremos felizes em receber você neste evento.

domingo, 11 de março de 2012

A alegria da chegada: Recepção dos amigos

Após a longa travessia do Atlântico com destino ao Brasil estamos nas últimas 5 milhas. Misto de expectativa e alegria. Dia 3 de março de 2012 marca o dia que terminamos a volta do Atlântico. O Sérgio do Travessura entrou no Iridium perguntando sobre a hora da chegada. Estimei em 23 hora local. Quando estavamos nos aproximando da ponta das Canas vi uma luz de navegação vindo em direção do Flyer.

No rádio a voz do Pimenta se alternou com a voz do Jonas e da Carol que juntamente com o Xandão vieram no veleiro Lafite nos receber carregando duas cervejas bem geladas ... Que recepção maravilhosa !!!

Na praia o comandante Sérgio nos aguardava para conversamos...

Enfim: POITA, mas isso é outra história

Enfim:POITA

Chegamos. O Flyer está na poita em Ilhabela. Agora está passando por um processo muito doloroso: Estamos esvaziando o Flyer...

A primeira impressão de que somos espartanos por viver num veleiro de 30 pés por 20 meses caiu por terra assim que começamos a tirar as coisas. A Miriam fez provisões para uma travessia do Atlântico só que a quantidade de suprimentos seria suficiente só para a travessia, mas capaz de alimentar 12 pessoas. Só de enlatados e outros afins foram quatro viagens de carro entre o veleiro e o chalé onde estamos instalados provisoriamente.

Ainda faltou um monte de coisas para tirar, mas hoje, depois do almoço, devemos continuar o processo de transformar nossa casa em veleiro outra vez.

Depois de esvaziá-lo vamos lavar, polir e deixar o guerreiro pronto para trocar de família...

O Flyer está a venda. É um CAL 9.2 que fez a volta do Atlântico sem uma avaria.

A ficha aos poucos vai caindo. Foi uma aventura e tanto. Uma daquelas que eu vou contar para os meus netos.  Nós vivemos o que muita gente sonha.

Agora um novo projeto: Estou começando a escrever o livro que descreve como fizemos isso. É claro que essa não é a última de nossas aventuras. Nós ainda temos alguns oceanos para navegar...

Quando sai eu não sabia quase nada de navegação nem de náutica, mas agora sim, eu sei com certeza o tamanho da minha ignorância...

Mesmo assim, só a vivência de uma vida no mar por algum tempo muda tudo.

Lembro da frase: Ó Senhor, meu barco é tão pequeno e tão vasto é o mar...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Guerreiro à casa torna

Uma ano e meio e agora Salvador...

Interessante como são as coisas: faz 4 anos que começamos a velejar. Brincando com um laser no Canal de Ilhabela  e sonhando com algo maior. Hoje estamos terminando um ciclo: o Flyer e sua tripulação deu a volta pelo Atlântico cruzando-o duas vezes.

Quando compramos o Flyer (CAL 9.2) ele estava preparado para passear entre Ilhabela e Ilha Grande. Não sabíamos ao certo o que colocar nele e nem se ele seria o barco para atender nosso projeto. Claro que também não sabiamos navegar, sem tirar o fato que eu era arrais e um dos mais amadores que eu já conheci.

A ABVC foi uma grande escola, o cruzeiro Costa Leste 2010 foi muito bem organizado e lá fiz amizades que perduram até o presente além de ter conhecido gente que realmente sabe navegar e velejar e que gosta de ensinar.

Nos poucos meses que passamos juntos aprendi muito até que de Fernando de Noronha para frente eu acabei por formar junto com outros veleiros e amigos um flotilha que seguiu para o Caribe. Lugares maravilhosos por onde passamos, muito que aprendemos e a família mais unida que nunca. Meus filhos aprendendo idiomas, geografia e geopolítica, costumes e culturas diferentes e eu percebendo o tamanho de minha ignorância. Percepção que veio chegando aos poucos...

A primeira grande travessia seria de Sint Marteen para Flores (Açores). O Flyer estava preparado para cruzar o oceano e nós também, até que resolvemos zarpar. Foi uma travessia extremamente tranquila. 23 dias de mar onde eu e o Rafael fizemos todos os deveres da escola, mas nós perdemos nosso filho Caio. Ele foi cruzar no veleiro de um amigo que o convidou para compor a tripulação.

Amigos ficaram para trás. Tanto nos Açores como em Portugal continental, mas a vida do navegante é essa mesmo. De lá para Gibraltar, novos e velhos amigos, todos especiais. Tantas descobertas !!!

Claro que nosso guerreiro Flyer ia para todos os lugares sempre levando a tripulação e toda a tralha em segurança e algumas vezes com bastante rapidez.

De Gibraltar voltamos para Portugal para pintura de fundo e pequenos reparos para depois atravessar novamente. A Miriam foi para Canárias de avião para ver de perto o que acabou por se tornar nossa nova casa: O Lady Blue. 

O Flyer ainda nos levaria para o Brasil para encerrar este primeiro ciclo da viagem. Então de Portimão partimos para Canárias. Também fizemos grandes amizades por lá e acabei por entender muito melhor o povo Espanhol.

Mas o mundo continua girando !!!

Então resolvemos continuar nosso retorno para o Brasil. Zarpamos com destino a Cabo Verde para uma parada técnica e de lá para Salvador. Em Cabo Verde perdemos dois tripulantes: Minha amada esposa Miriam e meu pequeno Rafael. Ambos vieram de avião para o Brasil para visitar o pai da Miriam que estava bem doentinho. Durante a viagem de Cabo Verde para Salvador o pai da Miriam faleceu. Momento difícil da travessia.

Agora, enquanto escreve estas linhas, estou na véspera de zarpar de Salvador para Ilhabela e me lembrei de que nossa casa sempre estará junto com o vento, mas o Flyer, esse sim um guerreiro incansável está voltando para sua poita em Ilhabela e de lá, como é bem merecido irá para as mãos de um apaixonado por vela que estará apenas começando seu sonho...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Flyer está fazendo a travessia de Cabo Verde ao Brasil, no último final de semana o vento aumentou e o mar cresceu cansando a tripulação, mas como no mar sempre tem novidades, agora o Flyer está à dois dias no meio de uma tempestade de areia e a 900 milhas da Africa, segundo informações do capitão, com mar calmo e ventos amenos.
Vai ter histórias para contar quando chegar ao Brasil.....Esse Flyer é porreta....
Infelizmente eu (Miriam) e o Rafael não estamos junto nesta travessia, meu pai está muito doentinho e retornei ao Brasil em outro "FLYER".
Meu paizinho quer melhorar rápido para fazer um trecho aqui no Brasil, vamos torcer para que tudo de certo....

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Poeira em alto mar

Faz poucos dias me deparei com um fenômeno meteorológico interessante que não soube como classificar.

Atualmente estamos nas Canárias nos preparando para a travessia de retorno ao Brasil para encerrar a primeira fase da viagem. Vamos levar o Flyer de volta para Ilhabela para procurar uma família para ele.

Aqui o regime de vento é muito constante, quase sempre vindo de NE (Nordeste), entretanto hoje completa 3 dias que o vento mudou para E e SE e junto trouxe uma nebulosidade estranha, densa, que a princípio parecia muito com névoa úmida. Mas a umidade do ar estava caindo enquanto a nebulosidade aumentava.

A noite, o Caio matou a charada: Poeira.

No início não fechei com ele, mas depois de alguns argumentos fazia todo o sentido. Mesmo estando numa ilha oceânica nós estamos relativamente próximos do Saara. Confirmamos o evento com alguns locais.

Foi a primeira vez que eu tive a oportunidade de ver um evento desta magnitude. De tempos em tempos a natureza demonstra de maneira muito clara como somos insignificantes

A hora de voltar se aproxima.

sábado, 19 de novembro de 2011

Meu filho deveria ser negro

Me dei conta que as pessoas não mudam verdadeiramente e de maneira definitiva. Somos o produto de anos e anos de escolhas, na maior parte, dos outros.

Eu já assumi de maneira definitiva que não vou mudar.

Isso não é bom nem ruim. Isso é só a realidade dando uma lição de humildade. Todas as experiências de uma vida vão se acumulando de maneira que sempre teremos mais e mais certeza de nossas escolhas o que torna as coisas cada vez mais duras e engessadas.

O que isso tem a ver com o fato de que meu filho deveria ser negro ??

Simples: Sou brasileiro, logo meu filho é negro

Claro que o fato de eu ser Afrodescendente me coloca em posição de não questionar estas afirmações feitas aqui nas Canárias, mas ninguém sabia que meu pai era italiano nascido no Egito, então de onde veio a certeza de que meu filho deveria ser negro ?

Bom, o Caio conheceu o Alberto que é filho do Alberto Pai que está trabalhando no Lady Blue. Eles foram para balada a convite do Alberto filho que queria apresentar o Caio para uns amigos Canarios. Parece que a noite foi boa, mas no dia seguinte o Caio comentou: Pai... eles achavam que eu seria negro !!!

Tudo no que acreditei ao longo de minha vida sobre mundo civilizado, racismo, educação e cultura, afinal quase tudo voltou para me atormentar. Todos os meus conceitos e preconceitos acabaram por me presentar com um epifanía: Sou brasileiro e filho de um Africano, então eu sou negro, se eu sou negro, então meu filho deveria ser negro. Desta forma eu estaria enquadrado e atenderia o preconceito de um grupo de jovens sobre os brasileiros e dos próprios brasileiros sobre si mesmos.

Isso não muda nada, mas foi uma enorme lição de vida.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Eu não acredito em coincidências, pero que las hay, las hay !!!

Veja se encontra a coincidência entre as seguintes frases:

Para onde o vento me levar
Para onde o vento vai
Sotavento

Difícil ? Um veleiro chamado Lady Blue. Nossa nova casa.

A história começou faz alguns dias. Eu estava no Brasil quando a Miriam ligou para mim e disse. Vou para as Canárias. Tem um veleiro por lá que eu quero ver... Com o tempo eu aprendi que algumas decisões são assim e pronto.

Ao retornar das Canárias para Portugal a Miriam já tinha me dito. Vamos comprar este veleiro. Eu gostei dele. Até este momento eu não tinha a menor ideia de qual veleiro era. De pronto me surpreendi: Um Jeanneau 45.1. Um dos meus sonhos de consumo que estavam se materializando.

Porque as coisas são como são ?

Uma família Uruguaia num certo momento de sua vida e nós em outro momento completamente diferente. Eles mudando para terra e nós para o mar. Nossa experiência de vivência  na volta pelo Atlântico foi maravilhosa e cheia de experiências.

Mas e as coincidências...

Bom, conhecemos o Ricardo. Cara muiiiito legal. Ele nos disse que em determinado momento de sua vida ele ficou conhecendo as possibilidades náuticas porque conheceu um cara que tinha um site que se chamava "Para onde o vento me levar" então ele resolveu seguir a vida no mar. Depois de um certo tempo ele resolveu vender sua casa no mar (Ela se chama Lady Blue) e nós resolvemos comprar. Por incrível que pareca nosso blog é "Para onde o vento vai"... As coisas começam a ficar estranhas. Claro que nosso blog tem um site que faz o redirecionamento o site é www.sotavento.com.br.

Sotavento quer dizer para onde o vento vai, então as coincidências ficariam pelo viez da semântica. Mas acontece que fechamos o negócio nas Canárias, no Molle Deportivo, ao lado do Centro Comercial Sotavento !!!

Ao final eu não creio em coincidências, pero que las hay, las hay !!!