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Bem-vindo a nossa casa.

Aqui contamos histórias sobre nossas peripécias dando a volta ao mundo em nosso veleiro. Nós somos: Fabio, Miriam, Caio, Rafael e Cacau e não sabemos onde vamos parar, só sabemos que vamos "Para onde o vento vai".


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ventos Mediterrâneos, vida nova, mares antigos

Navegar no Mediterrâneo é um misto de desafio e prazer. A noção muito difundida de que aqui ou não tem vento ou tem vento demais é uma verdade com a qual você deve aprender a lidar.

A mudança de barco do FLYER para o LADY BLUE foi rapidamente absorvida, o mais difícil é sair do Atlântico e entrar num dos mares mais navegados da história.

Tem luz para todo o lado. Algumas zonas são tão navegadas que ao largo parece que você está numa via férrea. E quase todos estes monstros são perigosos !!! Cada um deles se mostra como se fosse seu Kraken pessoal, fazendo barulho e perseguindo-o seja qual for o rumo adotado. Isso faz com que as doces e maravilhosas noites de travessia do Atlântico fossem transformadas em noites de vigília e muita atenção.

Da mesma forma que o rádio VHF parece falar um idioma que é uma mistura de russo com inglês falando por um Tailandês nascido no Egito !!! Minha nossa !!! Demorou uma eternidade para eu entender o que o sujeito estava falando: XANG TU CHANEL TUENTI TU, TU TU !!!

E as famosas ondas mediterrâneas são exatamente da forma que se descreve na literatura. Uma vem junto com a outra, mas de diferentes direções e intensidades, sempre íngremes. Quem não gosta de ouvir a proa bater duro levantando água para todo o lado, deve navegar em outro lugar...

O vento parece ter um lema próprio: vou te ajudar agora, mas depois vou cobrar o preço desta ajuda. Que saudades dos Alísios, que saudade dos Trade Winds... Na travessia para o Brasil nos ajustamos as velas abaixo de Cabo Verde e só olhamos para elas outra vez perto de Salvador. Aqui você ajusta as velas a cada mudança de humor do vento, e o vento aqui tem o humor de uma velha senhora rancorosa.

Com o tempo, com tempo mesmo, vou me ajustando a navegação por aqui. A grande vantagem é que tem PORTO para tudo que é lado. Acho que deve ser um dos lugares mais recheados de porto que existem na face da terra. Se a coisa pega, é só arribar para um deles e preparar suas economias para gastar os tufos para ficar por aqui...

Em Ibiza uma marina tinha um preço que passava de 200 Euros por dia. Em Mayorca eu tive que ir para uma Marina para pegar água, combustível  suprimentos e um pouco de ar condicionado, nada exagerado, só uma noite, e gastei a bagatela de 130 Euros, mas afinal eu não estou reclamando, só estou descrevendo alguns fatos da vida. Mediterrâneo é mar para gente rica, ou para quem gosta de ficar ancorado, que virou meu caso (com certeza).

O clima aqui é maravilhoso e muito bem definido. De Setembro para frente é sempre bom olhar para meteorologia todos os dias, mesmo ancorado, porque é comum as borrascas de outono te pegarem desprevenido onde você estiver. Mas esta tarefa é mais uma daquelas inglórias nas quais você olha para as previsões e deve estar sempre preparado, porque o índice de acerto por aqui é baixo. Nesta época já se deve procurar um lugar para invernar o veleiro.

Nós pegamos uma dica do Manoel e viemos parar na Sicilia. Marina de Ragusa. Obrigado Manoel pela dica. Aqui achamos uma Marina muito bem equipada, bem protegida e perto de uma cidadezinha agradável, mas o mais incrível é que para deixar o LADY BLUE aqui no inverno você paga algo como 1100 Euros para 7 meses de estadia. Se quiser deixar no seco sai por 1900 Euros.

O LADY BLUE vai ficar por aqui.

Nossa viagem até chegar aqui foi uma viagem de descoberta. Saímos de Gibraltar depois de um churrasco de despedida de nossos amigos de lá, com proa para Ibiza onde encontraríamos outros amigos Ronny e Enoque do veleiro Luar. Foi uma travessia para dar um abraço e bater um papo (e para aprender com os dois) que estão sempre prontos para ajudar.

O vento Ponente que entrava pelo canal parecia bem generoso e constante. E foi realmente necessário. O mediterrâneo não é um mar de marés e correntes, a variação nunca é muito maior que 20 cm, mas quando tem vento ou uma depressão ao largo, isso muda. Corrente e maré acompanham o vento, com exceção do estreito de Gibraltar por causa da influência do Atlântico. Se sair a esmo, vai voltar para o porto. Não vence mesmo a força dos elementos no Canal. Mas como as variações são de 6 em 6 horas, você tem uma janela de tempo apertada para se afastar o máximo que puder da influência do Atlântico. Uma vez que você pega o ponente, você entra no Mediterrâneo em grande estilo: Velejando !!! de 20 a 25 kts de vento de alheta. Nossa primeira travessia para Ibiza começa bem, mas o vento não dura muito e começa a rotina de motorar, colocar vela, retirar vela, motorar outra vez, colocar gennaker, tirar gennaker, motorar, etc,etc, etc

Chegamos. Os dias em Ibiza foram passando. Ficar vestido na praia parece algo fora de moda. Nós resistimos. Visitamos nossos amigos e ficamos de olho na Meteorologia para a próxima travessia. Nosso objetivo era sair dali para Itália. Temos que chegar logo na Itália para fazer os papeis... Recebemos uma dica do Ronny sobre uma loja náutica boa em Mayorca, e como loja náutica é shopping de homem, eu marquei o rumo e fomos para lá. Um dia de marina, comprar algumas coisinhas na loja e pronto.

Aviso de Tempestade no Atlântico fazendo estrago (Nadine). Sempre que colocam nome de mulher num evento meteorológico a coisa vai ficar feia. Hora de sair dali e atravessar o Mediterrâneo antes as coisas ficassem feias de verdade.

A travessia para Sicília foi decidida porque havia previsão de várias tormentas no VHF dadas pelos serviços meteorológicos da Espanha. Sardenha fica para volta. Vamos para Sicília mesmo. A terra da Máfia. A terra com cara de Itália. Nossa Itália. A Itália para visitar de barco. Minhas origens estão nestas terras. Entrar no Canal da Sicília é uma loteria. O vento mais chato é o Siroco. E ele estava lá nos esperando. Assim que aproamos ele disse, aqui não Juvenal. 25 nós na cara o tempo todo, na verdade as vezes 30, as vezes 20. Não interessa o bordo que você escolhe, ele sempre vem na cara.

Motor, vela, remo e até abanador na popa para fazer o Lady Blue andar a 3.5 kt de VMG. E o Siroco tinha previsão de ficar assim por mais de uma semana. Então nada a fazer. Subir devagar, arrastado mesmo, mas com o destino fixado, o marinheiro vai e pronto.

Chegamos. Primeira impressões, primeiros cheiros, primeiros gostos, as frases faladas como se fossem cantadas. Como é gostoso ouvir o Italiano sendo falado, entretando quando buscavamos águas menos profundas nos aproximamos da costa só para notar que havia um barulho diferente no ar. Parecia barulho de fogos de artificio, mas não, o som era muito parecido com o som emitido pelo videogame do Rafael. O que ouvimos foi um tiroteio de metralhadora. Tiroteio pesado mesmo. Algo impressionante... Vamos para águas mais profundas outra vez. Para tranquilizar as crianças eu falei que aquilo era um treinamento do exército Italiano, querendo, do fundo do meu coração acreditar nisso !!!

O episódio foi esquecido assim que chegamos na Marina de Ragusa. Aqui vai outra dica interessante, Olhando nas cartas náuticas você encontra Marina para todo o lado na Itália. Santa ignorância. Marina é o nome que se dá a parte da vila que fica a beira mar. Em muitos lugares você só vai encontrar um porto de pescadores simples, em outras marinas, nem isso, mas a Marina de Ragusa parece que foi construída faz pouco. Tudo novo, os cunhos ainda nem estão oxidados. A recepção nos deu a opção de invernar aqui e cuidou de toda a papelada.

Neste momento a Miriam prepara um macarrão ao Pesto com uma pitada de Anchovas, estou com umas cervejas no congelador e uma baita vontade de ficar olhando o tempo passar devagar.




quarta-feira, 25 de abril de 2012

Fechamento do ciclo

A viagem começa com o primeiro passo. O passo de foro íntimo. Interno, motivador, criador da mudança.

Enrijecemos na expectativa de problemas e não temos a oportunidade de vivenciá-los. A vida ensina através dos acertos, mas são nos erros onde as lições que permanecem com mais vigor em nossas memórias estão sempre presentes. Então cometa erros, mas faça, dê o primeiro passo !!! Corte as amarras que prendem você a vida que você gostaria de mudar.

Agora encerramos o primeiro ciclo de nossa volta ao mundo em família. A viagem de circunavegação do Atlântico que eu, Miriam, Caio e Rafael fizemos ao longo dos anos de 2010, 2011 e 2012. O Ciclo se encerrou com duas palestras que proferimos no Rio Boat Show e na ABVC (Centro Cultural da Marinha).

Durante a viagem colecionamos mais de 10000 fotografias. Como uma imagem fala mais do que 1000 palavras, abaixo contamos um pequeno pedaço da história. No facebook você pode encontrar o álbum completo com as fotos selecionadas para as palestras.

Espero que vocês gostem e resolvam dar o primeiro passo

Búzios - Veleiros ancorados


Vitória - Regata


Ilhéus - Paella de banana com carne de Sol


Morro de São Paulo


Salvador - Vista do Tenab


Fernando de Noronha


Ilha de Lençóis- Maranhão


Trinidad - Plataforma num mar de azeite


Union Island


Tobago Cays


S.Vincent - Cenário de Piratas do Caribe


Guadalupe - Esse veleiro não aderna


Canouan - Pier de chegada


S.Barth - Veleiros ancorados


S.Barth


S.Barth


S.Barth - Veleiros


S.Marteen - Flyer e Luar


Travessia do Atlântico - Reflexos


Travessia do Atlântico - Reflexos


Açores - Flores - Logoa Alta e Baixa


Açores - Faial - Vulcão Capelinho


Açores - Faial - Fofocas


Açores - Terceira - Marina


Açores - Terceira - Caminhos


Açores - Terceira


Açores - S.Miguel - Lagoa das sete cidades


Açores - S.Miguel - Samambaia


Açores - S.Miguel - Jardins


Açores - S.Miguel - Arte feita pelo mar


Açores - S.Miguel - Caio


Portugal - Galeota Real


Gibraltar - Dois macaquinhos


Gibraltar - A Rocha


Canárias - Amizades


Canárias - Símbolo


Canárias - Tempestade de areia


Cabo Verde - Ventos e chegada


Cabo Verde


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Agradecimento

Ao queridos amigos e velejadores, aos patrocinadores do evento e a aqueles que me receberam tão bem durante a palestra do Rio Boat Show resta fazer um público, genuíno e sincero agradecimento

Muito obrigado

A palestra foi desenvolvida com o objetivo de mostrar que é possível viver em um pequeno veleiro enquanto realiza seu sonho. Questões foram abordadas e depois esclarecidas, tais como: Saúde, Dinheiro e custos, segurança, investimentos, lugares para conhecer, Escola das crianças, etc.

Eu e a Miriam pudemos passar para os presentes um pouco das experiências e mais de 180 fotos entre as mais de 10 mil que foram colecionadas.

Ao final do ciclo de palestras nós vamos publicar um clip que fizemos sobre a viagem com as melhores fotos cronologicamente estruturadas para mostrar a viagem.

Espero que vocês gostem


terça-feira, 20 de março de 2012

Palestra: Uma família pelo Atlântico


Pessoal

Fomos convidados para fazer uma palestra na Rio Boat Show. O tema é VELEJANDO EM FAMÍLIA PELO ATLÂNTICO. A data já está marcada: dia 15 de Abril de 2012 as 17 horas. Rio de Janeiro

Conto com os amantes da vela e os que pretendem se apaixonar por um veleiro. Falaremos eu e a Miriam sobre nossas experiências e peripécias e sobre como conseguimos fazer isso tudo num barco de 30 pés.

Isso tudo permeado por dicas envolvendo custos, lugares, procedimentos, segurança, etc, etc, etc.

Ficaremos felizes em receber você neste evento.

domingo, 11 de março de 2012

A alegria da chegada: Recepção dos amigos

Após a longa travessia do Atlântico com destino ao Brasil estamos nas últimas 5 milhas. Misto de expectativa e alegria. Dia 3 de março de 2012 marca o dia que terminamos a volta do Atlântico. O Sérgio do Travessura entrou no Iridium perguntando sobre a hora da chegada. Estimei em 23 hora local. Quando estavamos nos aproximando da ponta das Canas vi uma luz de navegação vindo em direção do Flyer.

No rádio a voz do Pimenta se alternou com a voz do Jonas e da Carol que juntamente com o Xandão vieram no veleiro Lafite nos receber carregando duas cervejas bem geladas ... Que recepção maravilhosa !!!

Na praia o comandante Sérgio nos aguardava para conversamos...

Enfim: POITA, mas isso é outra história

Enfim:POITA

Chegamos. O Flyer está na poita em Ilhabela. Agora está passando por um processo muito doloroso: Estamos esvaziando o Flyer...

A primeira impressão de que somos espartanos por viver num veleiro de 30 pés por 20 meses caiu por terra assim que começamos a tirar as coisas. A Miriam fez provisões para uma travessia do Atlântico só que a quantidade de suprimentos seria suficiente só para a travessia, mas capaz de alimentar 12 pessoas. Só de enlatados e outros afins foram quatro viagens de carro entre o veleiro e o chalé onde estamos instalados provisoriamente.

Ainda faltou um monte de coisas para tirar, mas hoje, depois do almoço, devemos continuar o processo de transformar nossa casa em veleiro outra vez.

Depois de esvaziá-lo vamos lavar, polir e deixar o guerreiro pronto para trocar de família...

O Flyer está a venda. É um CAL 9.2 que fez a volta do Atlântico sem uma avaria.

A ficha aos poucos vai caindo. Foi uma aventura e tanto. Uma daquelas que eu vou contar para os meus netos.  Nós vivemos o que muita gente sonha.

Agora um novo projeto: Estou começando a escrever o livro que descreve como fizemos isso. É claro que essa não é a última de nossas aventuras. Nós ainda temos alguns oceanos para navegar...

Quando sai eu não sabia quase nada de navegação nem de náutica, mas agora sim, eu sei com certeza o tamanho da minha ignorância...

Mesmo assim, só a vivência de uma vida no mar por algum tempo muda tudo.

Lembro da frase: Ó Senhor, meu barco é tão pequeno e tão vasto é o mar...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Guerreiro à casa torna

Uma ano e meio e agora Salvador...

Interessante como são as coisas: faz 4 anos que começamos a velejar. Brincando com um laser no Canal de Ilhabela  e sonhando com algo maior. Hoje estamos terminando um ciclo: o Flyer e sua tripulação deu a volta pelo Atlântico cruzando-o duas vezes.

Quando compramos o Flyer (CAL 9.2) ele estava preparado para passear entre Ilhabela e Ilha Grande. Não sabíamos ao certo o que colocar nele e nem se ele seria o barco para atender nosso projeto. Claro que também não sabiamos navegar, sem tirar o fato que eu era arrais e um dos mais amadores que eu já conheci.

A ABVC foi uma grande escola, o cruzeiro Costa Leste 2010 foi muito bem organizado e lá fiz amizades que perduram até o presente além de ter conhecido gente que realmente sabe navegar e velejar e que gosta de ensinar.

Nos poucos meses que passamos juntos aprendi muito até que de Fernando de Noronha para frente eu acabei por formar junto com outros veleiros e amigos um flotilha que seguiu para o Caribe. Lugares maravilhosos por onde passamos, muito que aprendemos e a família mais unida que nunca. Meus filhos aprendendo idiomas, geografia e geopolítica, costumes e culturas diferentes e eu percebendo o tamanho de minha ignorância. Percepção que veio chegando aos poucos...

A primeira grande travessia seria de Sint Marteen para Flores (Açores). O Flyer estava preparado para cruzar o oceano e nós também, até que resolvemos zarpar. Foi uma travessia extremamente tranquila. 23 dias de mar onde eu e o Rafael fizemos todos os deveres da escola, mas nós perdemos nosso filho Caio. Ele foi cruzar no veleiro de um amigo que o convidou para compor a tripulação.

Amigos ficaram para trás. Tanto nos Açores como em Portugal continental, mas a vida do navegante é essa mesmo. De lá para Gibraltar, novos e velhos amigos, todos especiais. Tantas descobertas !!!

Claro que nosso guerreiro Flyer ia para todos os lugares sempre levando a tripulação e toda a tralha em segurança e algumas vezes com bastante rapidez.

De Gibraltar voltamos para Portugal para pintura de fundo e pequenos reparos para depois atravessar novamente. A Miriam foi para Canárias de avião para ver de perto o que acabou por se tornar nossa nova casa: O Lady Blue. 

O Flyer ainda nos levaria para o Brasil para encerrar este primeiro ciclo da viagem. Então de Portimão partimos para Canárias. Também fizemos grandes amizades por lá e acabei por entender muito melhor o povo Espanhol.

Mas o mundo continua girando !!!

Então resolvemos continuar nosso retorno para o Brasil. Zarpamos com destino a Cabo Verde para uma parada técnica e de lá para Salvador. Em Cabo Verde perdemos dois tripulantes: Minha amada esposa Miriam e meu pequeno Rafael. Ambos vieram de avião para o Brasil para visitar o pai da Miriam que estava bem doentinho. Durante a viagem de Cabo Verde para Salvador o pai da Miriam faleceu. Momento difícil da travessia.

Agora, enquanto escreve estas linhas, estou na véspera de zarpar de Salvador para Ilhabela e me lembrei de que nossa casa sempre estará junto com o vento, mas o Flyer, esse sim um guerreiro incansável está voltando para sua poita em Ilhabela e de lá, como é bem merecido irá para as mãos de um apaixonado por vela que estará apenas começando seu sonho...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Flyer está fazendo a travessia de Cabo Verde ao Brasil, no último final de semana o vento aumentou e o mar cresceu cansando a tripulação, mas como no mar sempre tem novidades, agora o Flyer está à dois dias no meio de uma tempestade de areia e a 900 milhas da Africa, segundo informações do capitão, com mar calmo e ventos amenos.
Vai ter histórias para contar quando chegar ao Brasil.....Esse Flyer é porreta....
Infelizmente eu (Miriam) e o Rafael não estamos junto nesta travessia, meu pai está muito doentinho e retornei ao Brasil em outro "FLYER".
Meu paizinho quer melhorar rápido para fazer um trecho aqui no Brasil, vamos torcer para que tudo de certo....

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Poeira em alto mar

Faz poucos dias me deparei com um fenômeno meteorológico interessante que não soube como classificar.

Atualmente estamos nas Canárias nos preparando para a travessia de retorno ao Brasil para encerrar a primeira fase da viagem. Vamos levar o Flyer de volta para Ilhabela para procurar uma família para ele.

Aqui o regime de vento é muito constante, quase sempre vindo de NE (Nordeste), entretanto hoje completa 3 dias que o vento mudou para E e SE e junto trouxe uma nebulosidade estranha, densa, que a princípio parecia muito com névoa úmida. Mas a umidade do ar estava caindo enquanto a nebulosidade aumentava.

A noite, o Caio matou a charada: Poeira.

No início não fechei com ele, mas depois de alguns argumentos fazia todo o sentido. Mesmo estando numa ilha oceânica nós estamos relativamente próximos do Saara. Confirmamos o evento com alguns locais.

Foi a primeira vez que eu tive a oportunidade de ver um evento desta magnitude. De tempos em tempos a natureza demonstra de maneira muito clara como somos insignificantes

A hora de voltar se aproxima.

sábado, 19 de novembro de 2011

Meu filho deveria ser negro

Me dei conta que as pessoas não mudam verdadeiramente e de maneira definitiva. Somos o produto de anos e anos de escolhas, na maior parte, dos outros.

Eu já assumi de maneira definitiva que não vou mudar.

Isso não é bom nem ruim. Isso é só a realidade dando uma lição de humildade. Todas as experiências de uma vida vão se acumulando de maneira que sempre teremos mais e mais certeza de nossas escolhas o que torna as coisas cada vez mais duras e engessadas.

O que isso tem a ver com o fato de que meu filho deveria ser negro ??

Simples: Sou brasileiro, logo meu filho é negro

Claro que o fato de eu ser Afrodescendente me coloca em posição de não questionar estas afirmações feitas aqui nas Canárias, mas ninguém sabia que meu pai era italiano nascido no Egito, então de onde veio a certeza de que meu filho deveria ser negro ?

Bom, o Caio conheceu o Alberto que é filho do Alberto Pai que está trabalhando no Lady Blue. Eles foram para balada a convite do Alberto filho que queria apresentar o Caio para uns amigos Canarios. Parece que a noite foi boa, mas no dia seguinte o Caio comentou: Pai... eles achavam que eu seria negro !!!

Tudo no que acreditei ao longo de minha vida sobre mundo civilizado, racismo, educação e cultura, afinal quase tudo voltou para me atormentar. Todos os meus conceitos e preconceitos acabaram por me presentar com um epifanía: Sou brasileiro e filho de um Africano, então eu sou negro, se eu sou negro, então meu filho deveria ser negro. Desta forma eu estaria enquadrado e atenderia o preconceito de um grupo de jovens sobre os brasileiros e dos próprios brasileiros sobre si mesmos.

Isso não muda nada, mas foi uma enorme lição de vida.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Eu não acredito em coincidências, pero que las hay, las hay !!!

Veja se encontra a coincidência entre as seguintes frases:

Para onde o vento me levar
Para onde o vento vai
Sotavento

Difícil ? Um veleiro chamado Lady Blue. Nossa nova casa.

A história começou faz alguns dias. Eu estava no Brasil quando a Miriam ligou para mim e disse. Vou para as Canárias. Tem um veleiro por lá que eu quero ver... Com o tempo eu aprendi que algumas decisões são assim e pronto.

Ao retornar das Canárias para Portugal a Miriam já tinha me dito. Vamos comprar este veleiro. Eu gostei dele. Até este momento eu não tinha a menor ideia de qual veleiro era. De pronto me surpreendi: Um Jeanneau 45.1. Um dos meus sonhos de consumo que estavam se materializando.

Porque as coisas são como são ?

Uma família Uruguaia num certo momento de sua vida e nós em outro momento completamente diferente. Eles mudando para terra e nós para o mar. Nossa experiência de vivência  na volta pelo Atlântico foi maravilhosa e cheia de experiências.

Mas e as coincidências...

Bom, conhecemos o Ricardo. Cara muiiiito legal. Ele nos disse que em determinado momento de sua vida ele ficou conhecendo as possibilidades náuticas porque conheceu um cara que tinha um site que se chamava "Para onde o vento me levar" então ele resolveu seguir a vida no mar. Depois de um certo tempo ele resolveu vender sua casa no mar (Ela se chama Lady Blue) e nós resolvemos comprar. Por incrível que pareca nosso blog é "Para onde o vento vai"... As coisas começam a ficar estranhas. Claro que nosso blog tem um site que faz o redirecionamento o site é www.sotavento.com.br.

Sotavento quer dizer para onde o vento vai, então as coincidências ficariam pelo viez da semântica. Mas acontece que fechamos o negócio nas Canárias, no Molle Deportivo, ao lado do Centro Comercial Sotavento !!!

Ao final eu não creio em coincidências, pero que las hay, las hay !!!


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A eficiência quase causa um problema de saúde nas Canárias...


Eu precisei enviar um documento certificado para os EUA então fui ao Consulado Americano nas Canárias para pegar informações sobre como deveria proceder porque já tive um pesadelo com o Consulado Brasileiro em Portugal. No Consulado Brasileiro eu levei uma semana só para marcar um horário para ser atendido dentro de 2 meses (claro que teria uma possibilidade de ser atendido com certa urgência ...)

Bom ao chegar lá com o documento em mãos fui atendido por uma funcionária que me perguntou o que eu precisava, pegou o documento, levou ao Consul e me trouxe de volta com um recibo para pagar pelo serviço. Tudo levou exatamente 5 minutos.

Eu tive um troço, meu coração palpitou, me senti tonto e com a boca seca... Etc, etc, etc. Pensei: Isso não podia estar acontecendo, não comigo... Tudo em menos de 5 minutos, eu não estava preparado para isso, afinal eu sou Brasileiro...

Nós Brasileiros não estamos acostumados com a eficiência. Ela nós faz mal...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Onde fica a metade da minha vida ?

Com o tempo percebemos que não existe esse negócio de metade de nada. A metade não passa de uma sensação. Um momento onde você muda seu rumo, sua direção e volta para suas origens.

Acho que vale uma explicação antes de continuar...

Você já teve a sensação que só entendeu de verdade um livro depois de muitos anos ?
Então: Quando eu era jovem (faz tempo)..., eu lia O HOMEM QUE CALCULAVA (Malba Tahan) e não dei muita bola para uma das passagens do livro. Nela o autor disse que um monarca de um reino distante, por algum motivo, havia determinado que todas as sentenças de todos os prisioneiros fossem reduzidas a metade.

Do alto de minha ignorância juvenil (que tem se preservado muito bem como a experiência) eu não via nenhum problema. Acontece que alguns dos prisioneiros estavam condenados a pena perpétua. Então: como descobrir quando o prisioneiro morreria para que sua pena fosse reduzida a metade ?

Claro que não vou dizer como o autor resolveu o problema (compre o livro e leia), mas hoje eu pensei: Estou no meio do caminho ???

O Flyer está no estaleiro em Portimão. Estamos terminando nossa preparação para retorno para Brasil. Na próxima terça-feira vamos para água e começamos a longa jornada de retorno. Vamos parar nas Canárias e depois vamos resolver se conhecemos ou não Cabo Verde. Nosso destino de lá será Salvador e em seguida descendo até chegarmos a poita do Flyer em Ilhabela, voltando as origens.

Que meio do caminho é esse ?

Meio do caminho: pronto. Meio da vida, Meio do oceano, etc, etc, etc, nada demais. Só um marco, só uma passagem. Eu não sei quanto tempo de vida ainda tenho pela frente, então sempre que eu chegar a algum lugar eu penso, estou no meio do caminho...

É provável que eu não viva para sempre, mas a sensação de que tem algo a ser feito é o que me move. Dúvida se transforma em pergunta e pergunta nos faz continuar. Sempre estou cheio de dúvidas. A certeza cria a estagnação e a estagnação é um dos estágios que antecedem a morte. Fica aqui o conselho: Não tenha muita certeza das coisas, especialmente onde fica a metade de qualquer caminho...

sábado, 24 de setembro de 2011

O alcance de uma flexa

O arqueiro arqueia o arco e se torna o arco. A flecha uma extensão de seu corpo e uma vez solta se desloca levando consigo a vontade do arqueiro.

Nossa vida ora recheada de realizações ora coberta de frustrações nós mostra que vamos tão longe quanto nossa vontade nos permite. Nos sentimos livres e vivemos todos os momentos de nossa trajetória com a certeza que sabemos para onde vamos e com mais certeza ainda que temos o controle do que se passa conosco.

Agora estamos aqui, dentro de alguns dias estaremos lá. Isso é nossa vontade se manifestando. Hoje eu tenho isso, amanhã eu vou ter aquilo. E centramos nossos pensamentos em fazer e ter. Vida social que nos impõe comportamentos, coisas, lugares. Velejadores são diferentes. Abrem mão de muita coisa e ganham em troca muito mais.

Mas com o tempo e com um pouco de humildade voltamos nosso pensamento para a verdade. Somos como a flecha. Temos a ilusão da escolha, mas o que levamos conosco é nada mais nada menos que a vontade do arqueiro. A flecha não se desvia.

Está na hora de voltar, mesmo que seja uma volta temporária. A hora chegou. O Mar passou a ser nossa pátria, nossa nação, nossa casa. Nele falamos o idioma desconhecido para os que tem raízes em terra. Voltamos para ver nossos entes queridos. Para curar a dor da saudade.

Essa volta representa um momento de reflexão. A flecha lançada não é capaz de voltar, segue sempre em frente, então porque voltamos? Nossa vontade é mais forte que a vontade do arqueiro ?

Não acredito...

Como a flecha que já foi lançada temos que voltar ao mar sem o qual a vida, nossa vida, não será mais possível. Nosso primeiro trecho já foi coberto. Estamos na metade do caminho de nossa primeira etapa. Águas que, de agora em diante, nos levarão de volta para nosso ponto de partida.

A flecha continua sua trajetória. Até onde a flecha vai ?

Não sei.

domingo, 18 de setembro de 2011

Estou farto de explicações...

Eu ainda me surpreendo com algumas coisas.

Conversando com uma amiga de Gibraltar eu recebi a informação que aqui os ônibus são gratuitos. Você vai para qualquer lugar em Gibraltar sem ter que pagar ônibus. É assim e pronto. Disse isso com uma naturalidade britânica. Soou como se a coisa fosse normal.

Não se paga ônibus e pronto. Porque eu deveria pagar para usar transporte público se este recurso é pago com o dinheiro dos impostos ?

Ficou na minha mente uma pergunta. Eu tenho milhares de motivos para explicar porque o serviço de transporte público deve ser pago, mas nenhum é capaz de responder a essa simples pergunta.

Sei lá... Eu nasci brasileiro e acredito que tenho que pagar os impostos para sustentar o estado para que ele me dê saúde, transporte, segurança, educação, lazer e tudo o mais que inutilmente foi colocado na Constituição da República de Bananas do Brasil. Como o estado não dá nada disso eu pago pela assistência médica particular, pago pelo transporte, pago o maior imposto do mundo na compra de um carro, tenho que morar num condomínio para deixar os ladrões do lado de fora, etc,etc,etc. Isso tudo é muito natural para todo brasileiro, mas depois que você abre os olhos, vendo o mundo ao redor, isso parece tão irreal !!!

""'Porque não pode ser gratuito ?"""

Essa é uma pergunta muito difícil de responder quando se é brasileiro !!!


Sinceramente, espero que alguém possa me CONVENCER porque não !!!

Estou farto de explicações...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Impressões sobre o desenvolvimento

Quero fazer um churrasco !!!

Não podemos fazer sem avisar os bombeiros !!!

No princípio não acreditei nisso, mas com o tempo e com uma visão um tanto mais apurada sobre a realidade acabei por entender porque

A Cláudia (brasileira radica em Gibraltar que junto com seu marido Derek se tornaram companheiros e amigos) me falou sobre a necessidade de ligar para os bombeiros para avisar que vamos fazer um churrasco. E ela ligou e realmente precisa avisar e passar os detalhes sempre que alguém quiser acender um fogo (qualquer fogo)...

Por mais absurdo que isso possa parecer, para nós brasileiros, isso é razoável !!!

O desenvolvimento tem seu preço. Um lugar onde não existe pobreza, onde o que se paga de impostos reverte em benefícios, onde a assistência médica é gratuita e funciona de verdade (se em Gibraltar não tiver o tratamento o ESTADO paga a transferência, passagem, hospedagem e as despesas para onde o tratamento pode se efetivar, sem filas, sem propinas, pelo simples fato de se pagar os impostos). As crianças recebem educação pública de qualidade e se quiserem fazer faculdade o fazem por conta do ESTADO, inclusive com os custos de habitação e materiais incluídos...

Ter que avisar que vai fazer um churrasco é um preço muito baixo para todos estes benefícios...

Que tal implantarmos, no Brasil, a campanha: AVISE ONDE É SEU CHURRASCO !!!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

No meio do caminho tinha uma Rocha

Não fazia a menor idéia onde ou que estaria fazendo um ano depois da decisão, mas decisão é decisão, então vamos em frente. Planejar e executar o plano com os mínimos detalhes. Meu Deus, quanto coisa para fazer e o tempo tão curto !!!

Claro, eu não tinha muita experiência em navegação, o Flyer é muito pequeno? A tripulação passaria bem ? As travessias serão difíceis? etc, etc, etc

Ao ouvir os comentários dos outros navegantes sobre as dificuldades quase desisti. Deus como as coisas são difíceis de conseguir !!!

Desde que estas dúvidas apareceram até o momento presente uma eternidade de experiências e vivências se passou. Foi um ano, alias mais que um ano, vivendo a bordo de um veleiro de 30 pés. Eu, a Miriam, o Caio e o Rafael entramos nessa aventura para fazer o cruzeiro Costa Leste 2010 com destino a Fernando de Noronha e agora no estreito encontramos essa Rocha. Gigantesca e cheia de significado.  Gibraltar e suas caracteristicas é um ponto de controle.

Se chegamos até aqui devemos olhar para nossos sonhos, medos e anseios e fazer um balanço.

Cada fase da viagem foi peculiar. As primeiras experiências numa flotilha. A rotina de navegar em grupo. A amizade que não se esvaeçe. A chegada a Fernando de Noronha. Subir para o Caribe, atravessar o Caribe. As experiências com idiômas e costumes completamente diferentes. A travessia do Atlântico. Açores e os novos amigos. A segunda fase da travessia do Atlântico. A chegada ao velho continente e agora Gibraltar...

É muito peculiar a aproximação do estreito. Estamos saindo do Atlântico para passar por entre dois gigantes, de um lado Gibraltar (A Rocha) a Montanha de Tariq (Tariq ibn Ziyad) e do outro o Monte Ábila (ou monte Hacho). Ambos abertos, segundo a mitologia, por Hércules e são então conhecidos por Pilares de Hércules.

Ao chegar aqui a noite pelo estreito, em meu turno eu vi um cenário de luzes de ambos os lados. Quase pude tocar tanto a Europa quanto a África. Não havia diferença. Luzes de ambos os lados. Só isso.

O oceano Atlântico ficando para trás e o Mediterrêno se descurtinando.

Um mundo de novas experiências ?
Quem sabe...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Marcas e passagens

Quanto mais o tempo passa menos sei sobre as pessoas e sobre as coisas ! A vida simples de velejador, a conquista diária, acordei ! Quais são as marcas de uma vida de descobrimentos ? O que descobrimos sobre nós mesmos.

Acho que este deve ser o objetivo. A auto descoberta coloca-nos diante da vida com a forte determinação de continuar. A cada descoberta uma marca, as vezes indelevel, permanece em nós. Marcas que muitos acabam por chamar de experiências. Algumas amargas, porque a vida precisa de equilíbrio, mas as experiências vão moldando o barro até nos transformar no que somos. O que eu estou fazendo agora quebra o barro endurecido de uma vida estagnada e mistura água para gerar barro novo e continuar o processo de moldagem.

Isso não tem fim, mas deixa marcas. Algumas são interiores outras eu fiz questão de deixar do lado de fora. Os que me conhecem pessoalmente saberão que houve uma passagem e que essa passagem deixou uma marca e que essa marca serve para lembrar para mim mesmo e para quem quiser ser lembrado: É POSSÍVEL.

domingo, 7 de agosto de 2011

Travessia do Atlântico - Parte II - Detalhes Técnicos

Para os amigos velejadores

O anticiclone dos Açores tem este nome porque tem seu centro próximo dos Açores e por ser uma zona de alta pressão mantém a circulação do ar no sentido horário (hemisfério norte). A travessia dos Açores para Europa (Portugal ou mais para Baixo entrando no mediterrâneo por Gibraltar) deve ser feita sempre aproveitando o anticiclone. Veja seu comportamento no link abaixo


Os ventos que ajudam na travessia são os que vem de Oeste. Estes ventos são próprios do Anticiclone e devem ser aproveitados. A estratégia é subir de São Miguel que fica a 38 Norte para 40 ou 41 Norte com o vento pela alheta e seguir assim até próximo da costa Portuguesa.

Em Portugal é comum você encontrar ventos de Norte de 20 a 30 nós com ondas de 4 a 5 metros, então quanto mais você estiver ao Norte melhor para a chegada. Mas não exagere. Se passar de 41 você pode pegar ventos bem mais fortes que sobem junto com as baixas que passam sobre o anticiclone seguindo para Nordeste.

O mais importante é o sincronismo da saída e da chegada. Espere o momento certo. Eu fiquei esperando este momento da travessia por duas semanas antes de largar amarras em São Miguel.

Nas 788 milhas desta pernada pegamos quase sempre ventos de través e alheta (tanto de bombordo quanto de boreste) mas entre as mudanças de vento algumas horas de calmaria. Desta vez usamos pouco diesel.

Durante a travessia você deve baixar as previsões (eu uso o iridium para isso) para áreas menores que podem lhe ajudar a fazer acertos no rumo ou preparação para mudanças (elas podem ocorrer e é melhor estar preparado)

Fora isso a preparação para 10 dias (fizemos em 7) com suprimentos, água, diesel, etc.

Agora fica um detalhe interessante. Mais uma ferramenta que vale a pena ter no seu PC. O software se chama Visual Passage Planner 2. Ele tem todas as cartas piloto do mundo inteiro e ajuda a fazer o planejamento de qualquer travessia.

O mais importante: antes de planejar a travessia converse com quem já fez, de preferência mais de uma vez, a mesma travessia e pegue dicas. Lembre-se que a responsabilidade sempre será sua porque a decisão de sair é sua sempre.

Seja resoluto na questão meteorológica. Se não tiver segurança: Não SAIA.

Veja o exemplo abaixo:


O mesmo anticiclone dos Açores uma semana antes de nossa saída. Eu podia ter saído, mas repare o tamanho da pista de vento com 20 nós e os ventos próximos de Portugal em 25 a 30 nós. Passaria 6 dias orçando e forçando a tripulação e o Flyer sem necessidade. Estava tudo pronto para sair e quando eu decidi não atravessar foi só cara feia, mas a decisão foi tomada e, em retrospectiva eu acredito que foi correta.

A travessia do Atlântico

Um certo frio na barriga.

Pronto: Estamos do outro lado do Atlântico. Sabe aquela imensidão de água sem fim; chegamos do outro lado. O frio na barriga aumenta. Puxa: É assim que nos sentimos então... É assim que se sentiram os navegadores... Os exploradores...

A verve de correr os sete mares tem uma explicação: nós simplesmente gostamos de aventuras. Para quem quer saber qual o segrego aqui eu conto: A coragem para largar amarras e sair. Esse foi o ponto crucial de nossas vidas.

O resto veio sem pressa e na hora certa. Associar-se com as pessoas corretas, amizades, recursos, oportunidades, conhecimento e vivência para nós e para nossos filhos. E olha que o Flyer tem somente 30 pés e somos 4 a bordo !!! Falta luxo, sobra calor humano.

Que oportunidade eles estão tendo... Acho que eles saberão dar valor a isto dentro de alguns anos. Agora é só curtir e aprender: Aprender história nos museus, geografia nos lugares, línguas com os nativos ( e precisamos aprender a falar o português novamente ... ) e aprender quão diverso o mundo pode ser...

A travessia da minha vida já foi feita. Aqui eu declaro que vou colocar um brinco na orelha para identificar esta fase. Atravessei o oceano de incertezas e cheguei do outro lado para contar a história.

O gosto de quero mais é muito intenso, então vamos atrás dos outros 6 mares...

sábado, 23 de julho de 2011

A doce dor da partida

A hora da saída se aproxima. Senão hoje, qualquer dia daqui para frente. Enquanto a chegada é coberta de expectativas a partida nos visita com um matiz de emoções que vão da alegria a tristeza.

A rotina do velejador é repleta de chegadas e partidas. De portos e pessoas. Algumas ficam para sempre na memória que é o lugar onde podemos visita-las com mais frequência. Outras mantem laços mesmo que a milhares milhas de distância ligando nossa trilha com seus sonhos...

Mas a hora de ir se aproxima e com ela tentamos nos atarefar de maneira intensa de tal sorte que os sentimentos de tristeza fiquem embotados. É assim que as coisas funcionam. É assim que devem ser.

sábado, 16 de julho de 2011

Caminhos nos Açores

Com a ajuda do Gigante (Veleiro EntrePolos) abaixo se vê nosso trajeto pelos Açores. Nosso caminho por aqui tem sido de muitos lugares lindos e de um povo incomum, carinhoso e receptivo. E de alguns brasileiros que deixam marcas...

As imagens mostram nossos caminhos até aqui

Saímos do Faial para Terceira

De Terceira para São Miguel

Os caminhos por aqui nem sempre são tranquilos. Existem vulcões em atividade submarina e é interessante passar longe deles. A Miriam, na travessia entre Terceira e São Miguel, viu uma grande luz vermelha a noite no horizonte. Luz muiiiiito estranha... Quem sabe ela conta em um post sobre isso...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tradição atualizada

A Dona Regi e a Cibele aceitaram minha sugestão e vão começar com um novo costume. Colocar bandeiras de velejadores em um mural na Casa do Pão de Queijo. Brazucas e outros velejadores são bem vindos para deixar suas impressões.

Abaixo o momento em que uma tradição pode estar começando ...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Segundas impressões de Terceira

Conseguimos, finalmente, conhecer os outros encantos que a ilha nos reservava.

Depois de passar pelo Monte Brasil (Caldeira de Vulcão que tem fama de ter sido o local onde os navegadores portugueses tomaram as medidas astronômicas para chegar ao Brasil) fomos para Gruta do Natal e o Algar do Carvão. Ambos os locais são formações vulcânicas bem típicas da região e muito interessantes para uma visita instrutiva sobre geologia.

Um novo passeio a Serra do Cume, para fotos melhores com mais luz e o lugar realmente dá vertigem a quem não está preparado para as alturas.

Outro compromisso do dia. Tourada a moda Terceira. Neste tipo de tourada existente na Terceira os touros bravos não são propriamente soltos na rua, uma vez que existe um cabo longo preso ao touro que é seguro por vários vaqueiros. O touro parece realmente bravo e fica correndo atrás de todos que por ousadia cruzam-lhe o caminho.

É um grande evento local, vem gente de todos os lugares que se abrigam nos muros altos, nas praças, etc e ficam a espera do touro, atualizando as conversas. Muitos vendedores ambulantes e muita algazarra.

O dia terminou, mas ficou a certeza de que muitas outras coisas serão vistas em nossa próxima visita. Acho que nem as terceiras impressões ou mesmo as quartas impressões serão capazes de descrever bem esta ilha...

Algumas fotos só como ilustração


O forte no Monte Brasil


Vista da Serra do Cume 

O Rafinha na entrada da Gruta do Natal
Mi num dos túneis da Gruta do Natal

Praia de Açoriano (é raro achar areia...)

A descida para o Algar do Carvão

Quando chega lá embaixo lembramos que temos que subir ...

O povo esperando o touro


Um dos poucos corajosos remanescentes...